Incrível como algumas coisas da minha infância vêm a minha cabeça de uma forma assim... tão de repente! Lendo os textos atualizados no Google Reader, eis que me deparo com um nome que há anos eu não ouvia: Jorge Tadeu. O que me fez lembrar de uma história que há décadas eu não conto a ninguém: a minha experiência pessoal com a árvore do Jorge Tadeu.
Os mais jovens, talvez, não irão saber quem é o Jorge Tadeu. Então, como sei que muitos dos meus leitores são tão
preguiçosos ocupados quanto eu, eu pesquiso e conto para vocês. Jorge Tadeu, minha gente, era personagem de uma antiga [ANTIGA?] novela da Globo,
Pedra Sobre Pedra. Ele era representado por ninguém mais, ninguém menos que [abana a menina aqui que eu vou desmaiar]
Fábio Jr.[pára tudo e chama a Nasa!]Ana P., como assim, você... Fábio Jr... tipo... gosta????
Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim, minha gente, confesso publicamente nesse momento que eu tenho uma raiz brega dentro do meu ser, e essa raiz brega é completamente apaixonada, desde minha tenra infância, pelo Fábio Jr. Canto as músicas dele com uma empolgação de quem está num show do... Pearl Jam, por exemplo. E quando ele balança o cabelo??? NUOOOOOOOOSSSAAAAA!!! Desmaio!! Sim, gente, eu casaria com Fábio Jr. Na verdade, minhas intenções com ele são puramente sexuais, mas se pra isso eu tivesse que casar, eu casava [só não teria filho, mas isso são outros quinhentos]. Podem falar, podem zuar, eu vou deixar um espaço pra isso.
[continuando com a programação normal]Pois bem. Sabendo da minha paixão pelo Fábio Jr., e sabendo que ele atuava na novela Pedra sobre Pedra, que cazzo de árvore do Jorge Tadeu é essa? Bem... no enredo da novela, tinha a tal da árvore do Jorge Tadeu, que foi uma árvore nascida na praça da cidade de Resplendor, logo depois do assassinato [snif, snif] do Jorge. Daí queeeee... nessa árvore nascia uma frô branca [flor-de-leite, copo-de-leite, sei lá o nome da tranqueira da flor] que, se a mulher comesse essa flor [não lembro se tinha tipo um dia da semana, do mês ou do ano que tinha que comer], ela encontrava com o falecido Jorge Tadeu, e aí fazia as coisas que em vida ele não pôde fazer.
Enfim, coisa besta.
Mas pensa numa menina jovem. Inocente, curtindo uma infância feliz, influenciada pelas novelinhas da Globo. Essa era eu. Não lembro exatamente quantos anos eu tinha, sei que era uns oito anos de idade, quando fui numa quermesse do bairro aonde uma das barracas tinha a tão aclamada ÁRVORE DO JORGE TADEU!!! A idéia, pelo pouco que me lembro, era pagar um valor X pra jogar um dardo Y em algum lugar Z. Se acertasse, tirava uma flor da árvore e
comia abria para ver qual era o prêmio que levava. Eu comprei, acertei, ganhei uma daquelas
facas de brinquedo que enfia na cabeça. E a tão desejada, tão idolatrada, flor da árvore do Jorge Tadeu.
Eu, toda feliz, toda inocente, fui mostrar pra minha irmã a flor, e ela, derrotando todos os meus sonhos infantis, dá risada da minha cara e diz: "É DE PAPEL, SUA IDIOTA!!!".
Que coisa! Foi pior do que descobrir que Papai Noel não existia! Como, era de papel? Então eu não podia comer? O Jorge Tadeu não ia aparecer? Fiquei tão desolada, que queria ir pra casa imediatamente, deitar e chorar minha ilusão perdida.
Pois fui. Deitei. E não dormi. Fiquei imaginando se a árvore da novela também não tinha flores de papel. Fiquei imaginando se o Jorge Tadeu não iria atender ao pedido de uma menina apaixonada, perdidamente apaixonada, e totalmente biruta. Fiquei imaginando se fazia grandes diferenças comer a flor de verdade, ou a flor de papel.
NÃO TIVE DÚVIDAS: levantei, peguei a flor de papel e comi!!!
Primeira vez [e única, até onde me lembro o.O] que comi papel na vida. Comi com gosto, imaginando em cada pedacinho que o Jorge Tadeu ia aparecer no meu quarto [na época eu dormia com a minha irmã], e que ele ia deitar comigo na cama e dormir abraçado a mim [na época, como menina inocente, eu nem sonhava em dar pro Jorge Tadeu!]. E antes da minha irmã acordar, ele iria embora, silenciosamente, e eu ia ouvir o Fábio Jr. cantando
"não se admire se um dia / um beija flor invadir / a porta da sua casa / te der um beijo e partir...".
Comi a flor. Acabou o papel. E nada de Jorge Tadeu.
Depois eu me pergunto de onde surgiu tanta idiotice em mim.